Adeus Saurfang

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Após os eventos do 8.2.5 é hora de fazer um balanço sobre a atual expansão de World of Warcraft.

Passei algum tempo sem fazer um texto opinativo, tendo focado em guias do Clássico e em textos de lore. Eu sempre pensei que iria voltar a redigir um texto opinativo falando o quão eu estava enganado nas minhas previsões. Na verdade não era bem “pensar”, mas sim esperar. As previsões que eu vinha fazendo me deixavam triste por dentro pois não era aquilo que eu tinha em mente para a lore do jogo. Infelizmente, as minhas previsões estão se mostrando reais e isso me entristece.

Ontem, dia 24 de Setembro, teve o lançamento oficial do patch 8.2.5. Com a vinda do patch veio também o encerramento da Campanha de Guerra. Esse final não poderia ser mais impactante, principalmente para os jogadores da Horda. No texto de hoje vou então discorrer um pouco sobre o que aconteceu, como Battle for Azeroth está sendo e, com todos os acontecimentos posteriores à minha previsão, o que eu acho que vai acontecer.

No entanto, antes de começarmos, vamos falar de umas “regras” básicas aqui.

As regras desta crônica

  1. O texto é opinativo e reflete apenas a minha opinião (Kfour). Esta é uma análise feita por mim, sem influência de nenhum outro redator do BarraDois. Por isso, se quiser xingar alguém, eu sou o alvo.
  2. O debate é importante! Utilize a ferramenta de comentário aqui do site ou lá do Facebook para dar a sua versão da história e fazer suas previsões.
  3. Como a maioria de vocês deve saber eu sou 99% Horda (tenho apenas um personagem na Aliança com umas 8h de jogo). Por obviedade eu tendo a “puxar a sardinha” para a Horda. Além do mais, os meus sentimentos em relação a tudo o que acontecido em Battle for Azeroth são muito calcados na minha paixão pela Horda. Não obstante, tentarei manter uma certa imparcialidade no decorrer do texto. Outra coisa que eu poderei fazer é pegar pesado com a Blizzard e xingar eles um pouquinho. Vou tentar me controlar ao máximo, mas me perdoem caso eu não consiga me controlar em algum assunto.
  4. O texto vai ser grande – muito grande. Se você não tiver vontade nem paciência para ler o texto, poupe todos de comentários tipo “vou esperar o filme” ou “bíblia”. Tem quem goste de escrever bastante e tem quem goste de ler bastante. Apenas respeite.
  5. Vai ter spoiler! Então se você não quer saber o que aconteceu no 8.2.5 não leia a partir daqui. Você foi avisado, não reclame depois.

Mas agora, vamos ao que interessa.

 

A premissa de Battle for Azeroth

Depois de Warlords of Draenor eu prometi a mim mesmo que não iria hypar mais com expansões de World of Warcraft. Quanta inocência… Até me mantive bem centrado com os trailers e lore de Legion e confesso que Legion foi das expansões que menos me hypou. Eu realmente pensei que estava curado da síndrome de hype que a Blizzard inflige nos seus jogadores. Contudo, o trailer de Battle for Azeroth me fez hypar novamente.

Eu lembro como se fosse ontem. Eu estava no trabalho e estava no Discord debatendo sobre a BlizzCon com uma galera. Uma dessas pessoas tinha comprado o Virtual Pass e estava dando share na tela dela para eu poder ver (segredinho tá?). O trailer me fez levantar da cadeira lá do escritório. Eu cheguei a comentar com a minha namorada/noiva na época que estava muito legal e ela inclusive me deu a expansão de presente no mesmo dia que as vendas foram abertas. World of Warcraft tinha me hypado novamente e eu estava bem com isso.

Before the Storm

Além de todo o hype cinemático de Battle for Azeroth (convenhamos que a Blizzard é magistral fazendo trailers de expansões) um livro também foi anunciado. Before the Storm era o nome do livro e ele iria contar a história que antecedia a expansão. Basta lembrar como estava o ambiente na época: Horda e Aliança tinham acabado de sair de uma defesa monumental a Azeroth (com perdas graves para ambos os lados), ambos os exércitos tinham recebido aliados importantes (raças aliadas), Azeroth tinha acabado de sofrer um duro golpe (espada de Sargeras em Silithus), entre outras situações. Era um ambiente tenso desde o começo da expansão quando, pela ótica da Aliança, Sylvana tinha traído Varian – que acabaria por morrer.

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Livro Before the Storm (Antes da Tempestade em Português)

A perda de líder foi para os dois lados, pois Vol’jin também morre. Antes do Troll falecer, ele nomeou Sylvana como Chefe Guerreira da Horda, com a “bênção” dos “Loa” (uma incógnita até hoje).

No livro Before the Storm (eu fiz um resumo traduzido bem legal dele) nós podemos ver que a tensão entre Aliança e Horda estava chegando em níveis alarmantes. Sylvana tinha o objetivo de tomar Ventobravo e Anduin estava cercado de pessoas que o alertavam sobre a periculosidade da nova Chefe Guerreira. Tudo levava a crer que uma grande guerra entre Aliança e Horda iria despoletar a qualquer momento.

Tensões In-game

Mesmo a história in-game nos levava a crer que essa tensão iria chegar a vias de fato de grandes proporções. Cada facção tinha o seu “território” (Kul Tiraz e Zandalar) e a outra facção poderia invadir esse território. Pela primeira vez na história do WOW, tínhamos campanhas de leveling exclusivas para cada facção (tirando, obviamente, as zonas iniciais de cada raça) e eu achei isso bem legal!

A Campanha de Guerra prometia muito mas foi basicamente um lado tentado sabotar o outro a qualquer custo. Seja buscando informações, derrotando peças chave do exército inimigo, impedindo certas alianças, entre outras coisas. Guerra propriamente dita, com embates e confrontos de grandes proporções não aconteceram.

Para ser juntos podemos nomear os Fronts de Guerra como palco de confrontos. Esse novo modo de jogo chamou a atenção para o conflito armado entre as facções. Apesar de ser um sistema que precisa de inúmeras melhoras (até porque foi lançado na atual expansão), nós sentimos algum conflito surgindo. Mas mesmo assim, não foi o suficiente.

Em suma, eu considero que a Quarta Guerra entre Aliança e Horda foi bem fraca. Fez até lembrar, salvo as devidas proporções obviamente, a Guerra Fria protagonizada pelos EUA e pela então União Soviética. Relembremos que o único conflito armado durante a Guerra Fria ocorreu na Guerra da Coréia, na década de 50. Fora isso, a tensão existia mas não passava de demonstrações de força de ambos os lados, que culminou na corrida espacial. Apesar da Quarta Guerra ter tido conflitos armados, não atingiu as proporções que publicitaram no trailer, no qual vimos a Horda encurralada em Lordaeron, mostrando que o intuito era uma facção eliminar a outra.

Mas o que isso significa?

Isso significa que a tal “guerra” não atingiu as proporções que eu (e muitas outras pessoas) pensava que iria atingir. Está mais para um conflito/tensão do que um embate geral, que caracteriza mais um ambiente de guerra. De certa forma eu considero que Battle for Azeroth está sendo uma enorme propaganda enganosa. Tanto o trailer inicial como até mesmo o livro Before the Storm e os livros que vinham na Edição de Colecionador de BfA apontavam para uma grande guerra, que nunca ocorreu. E aqui está explicito que o intuito é vender e não fazer um jogo ou uma história com qualidade. Claro, a Blizzard é uma empresa e não uma ONG. Mas já se foi o tempo em que eles se preocupavam tanto com o dinheiro como com a qualidade do jogo em si.

É nítida a frustração dos jogadores do Retail. Muitas amigos meus pararam de jogar completamente e poucos retornaram. Os que retornaram passam mais tempo no Clássico do que no próprio Retail. E aqui eu aproveito para fazer um mea culpa, pois o Clássico está tendo uma boa quantidade de jogadores ativo, totalmente contra o que eu havia previsto. A questão que fica é: tinha tanta gente assim com saudades do Vanilla assim ou o BfA está tão podre que o Clássico parece algo enviado dos deuses? Fica aqui o questionamento.

 

Sylvana Correventos

Sylvana sempre teve uma personalidade forte. E isso é ótimo de se ver em um personagem, seja ele de videogame, filme, seriado, etc. Eu acredito que quanto mais personalidade um personagem tem, mais opções esse personagem tem para se desenvolver. Por exemplo: Se temos um personagem muito pacífico, que faz tudo o que o seu superior manda, sem contestar nada, nós não esperamos algo muito “fora da curva” desse personagem. Se ele for um personagem muito linear, a chance dele fazer algo “fora da curva” é extremamente difícil. E, caso faça, a chance desse personagem ficar destoado e descaracterizado é grande. Porém, quando você pega um personagem com diversas nuances, a chance dele te surpreender é grande.

https://www.youtube.com/watch?v=G7QZR2OWLR0
Sylvana Correventos

E Sylvana é assim. Um personagem que começou protegendo o seu povo e passou a odiar a vida é de uma certa complexidade. Temos inúmeros exemplos de personagens assim no WOW: Sylvana, Arthas, Garrosh… Se esperava mais dela, principalmente por ela, ao lado de Anduin, ter sido o personagem principal do livro acima mencionado. Ela foi bastante destrinchada no livro, mostrando cada vez mais a sua personalidade distorcida. Os debates sobre os seus reais interessas brotavam em fóruns, Discord e grupos de Facebook e WhatsApp.

Mas como a Blizzard está gostando de estragar tudo o que é legal, levaram a filosofia “Garrosh 2.0” ao pé da letra. Uma vez mais a empresa pega num personagem (que é Chefe Guerreiro da Horda) e estraga o personagem de uma forma abismal. E pior: coloca, uma vez mais, o líder da facção no potinho do “bad guy” (no caso, “bad girl“).

 

Anduin Wrynn

Por outro lado, Anduin estagnou em grande parte da expansão (pelo menos, até ao momento). Como disse, ele foi um dos personagens principais do livro Before the Storm e esperava-se mais dele. Ele teve um certo aprofundamento no livro, mostrando o seu lado pacificador e político. Ele saiu daquela “matrix binária” de “nós somos bons, eles são ruins”, muito comum em conflitos. E isso eu achei bem legal. Porém, in-game, ele foi muito, mas muito subaproveitado. E eu considero que agora seria o momento ideal de aprofundar o personagem!

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Anduin Wrynn

Eu não gosto muito do personagem, mas isso também se deve muito ao fato dele não ter sido muito trabalhado no WOW. Anduin nunca teve uma presença muito impactante no universo de World of Warcraft. Foi sequestrado no Vanilla, teve sua breve participação no Cataclysm (e no livro Ruptura). A primeira vez que teve uma presença considerável foi na expansão Mists of Pandaria, quando com 14/15 anos deu um “pelé” no próprio pai (que era o Rei da Aliança) e saiu cantando “Descobridor dos Sete Mares” até chegar em Pandaria.

Fora de brincadeiras, Anduin com seus 18/19 anos ficou sem pai (até então vítima de uma traição), no meio de uma guerra contra a Legião. Nas suas mãos estava o destino não só dos Humanos mas como de todas as raças da Aliança. Depois do encerramento de Legion e após ele ter sido um personagem de destaque num livro, era esperado mais dele na expansão – algo que não aconteceu. Ele teve algumas aparições e aprofundamentos, mas bem pouco.

Os devs perderam a oportunidade de focar em Anduin que foi, na maior parte das vezes, ofuscado por Jaina. Mas, como já pude dizer, ignorar personagens é um requisito para se trabalhar como dev do WOW.

 

Varok Saurfang

Para aqueles que acompanham a carreira de Saurfang há mais tempo sabem que ele era um soldado infeliz. Ele vinha buscando a sua morte honrada por anos. Varok viu muitas tragédias acontecerem durante a sua “carreira na Horda”. Ele participou de todas as grandes guerras, mas o “turning point” psicológico dele se dá quando seu filho, Dranosh, é morto na Batalha de Angrathar e posteriormente ressuscitado pelo Lich Rei como seu lacaio. Os aventureiros da Horda são acompanhados por Varok na incursão à Cidadela da Coroa de Gelo e Saurfang vê em primeira pessoa a derrota do seu filho pelas mãos dos protetores de Azeroth.

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Varok Saurfang

Por outro lado, ele sempre foi muito respeitado, inclusive pela própria Aliança. Não nos podemos esquecer que ele liderou os exércitos combinados da Aliança e da Horda na invasão a Ahn’Qiraj, organizou a investida dos exércitos da Horda em Nortúndria, entre outros grandes feitos.

Saurfang em Battle for Azeroth

Ele teve mais palanque que a própria Sylvana em Battle for Azeroth. E enquanto Sylvana perdia o pulso e o juízo (até porque ela nunca foi unanimidade como Chefe Guerreira), Varok era quem mantinha aqueles que verdadeiramente gostam da Horda juntos e focados no bem-estar e sobrevivência da facção.

Em eventos anteriores ao começo da expansão, Varok invadiu a Costa Negra ao lado de Sylvana, Nathanos e o restante exército da Horda. Ele estava presente e foi oposição quando Sylvana ordenou a queima da Árvore Mundo. Após o ocorrido, aconteceu exatamente o que ele havia previsto: a Aliança revidou e invadiu Lordaeron (trailer da expansão). Foi aí que ele foi capturado e levado para Ventobravo, como prisioneiro. Porém ele foi solto por Anduin (numa das escassas aparições do personagem nesta expansão).

É a partir desse momento que Varok Saurfang começa a trabalhar para retomar a Horda. O herói, pela primeira vez, tem a opção de escolha em duas narrativas distintas (e isso eu achei ótimo, pois aprofunda a sensação RPG do game): o jogador pode ajudar Saurfang, trabalhando como um agente duplo da Horda ou ele confessa a Nathanos e Sylvana que Varok está solto e prepara um “golpe de estado”.

Saurfang também viaja para Terralém no intuito de salvar e recrutar Thrall para o exército anti-Sylvana. O herói acompanha Varok (e Zekhan) em diversas aventuras, desde a proteção ao Orc no Pântano das Mágoas, passando pelo salvamento de Baine até, finalmente, a batalha final contra Sylvana.

A morte de Saurfang

Varok Saurfang é derrotado Sylvana após desafiar a Chefe Guerreira para um Mak’gora. Finalmente o Guerreiro encontrou o descanso que tanto procurava. Antes de propor esse desafio, Saurfang se preocupava mais com os guerreiros da Horda do que com a sua própria vida. O Mak’gora foi proposto exatamente para poupar a vida de inocentes. Ele sabia que ia morrer pois não tinha condições de enfrentar Sylvana de igual para igual.

Contudo a sua morte não foi algo surpreendente, até porque eu já tinha dito em outro texto aqui do BarraDois que isso iria acontecer. Apesar de eu dizer isso há algum tempo, os últimos acontecimentos (e até mesmo o seu discurso na cinemática) apontavam para isso. Porém, a forma como isso aconteceu é que me incomodou. E aqui é mais um exemplo claro de como a Blizzard tem conseguido estragar vários personagens com um simples toque de magia. Graças a um Mak’gora a Blizzard conseguiu:

  1. Destruir o pouco de decência que havia em Sylvana, fazendo com que ela ignorasse as “regras morais” do Mak’gora e utilizasse magia para derrotar o seu oponente (já vou destrinchar isto mais adiante).
  2. Deu a Varok Saurfang uma morte escrota. O propósito da morte é totalmente louvável: ele dar o seu corpo pela Horda foi das coisas mais épicas que aconteceram no World of Warcraft nos últimos tempos. Porém, depois de tamanho ato heroico, ele ser morto por uma trapaceira… Sem comentários.

Vocês já notaram que eu estou extremamente desiludido (para não dizer outra coisa) com as últimas decisões da Blizzard, né?

 

Os caminhos que estão sendo trilhados

Depois deste breve background de Battle for Azeroth (desculpem pela piada de mau gosto), chegou a hora de focarmos nos eventos mais pontuais, que me levaram a escrever esta crônica. Volto a repetir que eu sou extremamente apaixonado pela Horda. Não, não sou extremista (apesar de muitas vezes falar que “Garrosh não fez nada de errado”), porém eu gosto imenso da facção. E esta expansão (especificamente) tem me desiludido como um apaixonado pela facção vermelha.

Antes de fundamentar o que está me deixando triste (como Horda) atualmente, eu quero fazer uma breve digressão histórica.

A Horda

Uma das coisas que mais me cativou em World of Warcraft foi o fato de que nenhum dos lados era o “lado mau” explícito. Apesar da Horda ter tido momentos negros na sua história, a Aliança e as raças que compõem o seu exército também nunca foram um exemplo de moralidade e bons costumes. Ambas as facções tiveram momentos louváveis e momentos dignos de vergonha.

Não obstante, a Horda teve um surgimento baseado em ganância por poder. Obviamente que isso não aconteceu naturalmente, mas sim orquestrado por parte de um seleto grupo de Orcs que manipulou os demais. Nada de novo, visto que isso já havia acontecido com os Kaldorei (Azshara) e Eredar (Kil’jaeden e Arquimonde), por exemplo. Mas isso faz com que seja compreensível que algumas pessoas sintam que a Horda é ruim e a Aliança é boa. Nos antigos RTS, principalmente no Warcraft 1 e Warcraft 2, a Horda é retratada como vilã, mas vamos nos centrar no World of Warcraft.

A Horda de Garrosh

Em Mists of Pandaria vimos uma grande “demonização” da Horda. Para os mais ponderados, era visível que a loucura desenfreada era algo específico de Garrosh Grito Infernal (o então Chefe Guerreiro da Horda) e dos seus seguidores mais fiéis. Além do mais, nem todos os soldados e membros da Horda eram a favor das atrocidades de Garrosh. Mesmo assim, muitos colocaram a Horda inteira no mesmo potinho e declaravam que a facção era vil na sua totalidade. A própria Horda se dividiu, o que culminou numa invasão a Orgrimmar por parte da Rebelião Lançanegra e daqueles que compartilhavam da opinião que Garrosh havia sucumbido à loucura. Entretanto, o “estrago” já tinha sido feito. Um estigma que “a Horda era má” se enraizou graças a esse evento. E tudo piorou quando Sylvana começou a repetir os mesmos erros de Garrosh.

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Garrosh Grito Infernal

O caixão “Horda é escrota” foi lacrado quando em Warlords of Draenor. Thrall supostamente quebrou as regras de um Mak’gora e utilizou seus poderes de Xamã para por um fim em Garrosh. Os motivos para ele ter feito isso podem ser discutidos, no entanto, é mais um rótulo que a Horda ganhou.

Sobre o Mak’gora

É bom salientar que as regras de um Mak’gora são decididas no momento do desafio, entre os participantes. Não existe uma lei que diz que Mak’gora não pode ter magia, que tem que ser com armas, entre outras coisas. Porém, a cinemática do Mak’gora entre Thrall e Garrosh induz os mais novos no game (ou aqueles que não entendem tanto de lore) ao erro. Inclusive isso se reflete na própria Campanha do Xamã, em Legion, na qual Thrall aparece sem os poderes de Xamã e sem poder dar um bom uso ao Martelo da Perdição, que acaba ficando com o player. No Mak’gora entre Sylvana e Saurfang as regras não nos foram apresentadas, então não podemos acusar Sylvana de trapaça. Porém, historicamente os Orcs envolvidos em Mak’gora quase sempre decidiam por um combate corpo a corpo.

Mas isso não invalida o fato da morte de Saurfang ter sido péssima. Saurfang estava totalmente debilitado e Sylvana poderia ter facilmente lidado com ele num combate corpo a corpo, como seria esperado (tanto o Orc como a Banshee estavam equipados com armas). Mas como o objetivo é estragar personagens, é melhor fazer com que a Sylvana mate o Saurfang com uma magia das trevas, dando, uma vez mais a entender, que um personagem da Horda gosta de trapacear nos Mak’gora.

Garrosh 2.0

Quando Battle for Azeroth começou e nós começamos a ver para que direção Sylvana estava caminhando, as comparações com Garrosh se tornaram inevitáveis. Inclusive Sylvana foi apelidada de “Garrosh 2.0” por ter essas parecenças com o finado Chefe Guerreiro. Isso se tornou mais flagrante quando na expansão passada a Blizzard resgatou um personagem do passado (Illidan). Não é de hoje que eu sinto que a Blizzard está pecando em qualidade de argumento e lore (infelizmente). E Battle for Azeroth tem nos mostrado exatamente isso: a repetição de uma fórmula que já foi usada anteriormente. Claro que tem nuances e não é uma cópia descarada – mas mostra, indubitavelmente, uma certa falta de esmero por parte dos devs.

A sequência de demonização da Horda

É possível notar um certo padrão na tentativa de demonizar a Horda. São sucessivos acontecimentos que mostram para os jogadores que a Horda é ruim. Eu, pessoalmente, estou “bem informado”. Tive a felicidade e oportunidade de ler livros como “Lord of the Clans“, “Rise of the Horde“, “Chronicles“, entre outros. Aí é possível ver que a Horda é algo bem mais complexo e não apenas um “monte de ET verde que invadiu um planeta para destruir tudo e todos”. Mas são expansões sucessivas demonizando a facção vermelha. Não acreditam em mim? Então vamos aos exemplos práticos.

  • Cataclysm.

    Garrosh Grito Infernal, antes da expansão começar, é nomeado “regente” da Horda durante a estadia de Thrall em Terralém. Garrosh é extremamente questionado e inclusive ele mata Caerne Casco Sangrento. Mesmo com esse acontecimento e toda a desaprovação, Garrosh é nomeado Chefe Guerreiro por Thrall, para que o Xamã pudesse dedicar seu tempo a salvar Azeroth dos Elementos.

  • Mists of Pandaria.

    Garrosh entra em modo “full retard“. Ele fica totalmente louco por poder e sua mente é totalmente manipulada por Y’Shaarj com promessas de poder infinito. Garrosh torna-se um tirano, narcisista e autoritário. A expansão culmina com a invasão a Orgrimmar e a derrota do então Chefe Guerreiro.

  • Warlords of Draenor.

    Viagens temporais nunca deram muito certo – com Warlords of Draenor não foi diferente. Em vez de derrotarem Garrosh logo após o Cerco a Orgrimmar, foi decidido que o Orc iria passar por um julgamento em Pandaria. Garrosh consegue fugir para uma realidade paralela e vai parar na época da formação da Horda. Claro que nessa realidade paralela muitas das coisas estavam distorcidas em relação à realidade “normal” que vivemos – a única coisa que não estava distorcida é que tinha um monte de Orc aprontando. Foi também nesta expansão que Thrall “trapaceou” num Mak’gora e matou Garrosh.

  • Legion.

    A expansão começa dando a entender que Sylvana é uma traidora pois ela que havia condenado Varian à morte. Esse impasse perdura durante toda a expansão. Além do mais, para quem joga de Xamã, vê que a suposta trapaça feita por Thrall na luta contra Garrosh está sendo cobrada. Os Elementos pararam de se comunicar com Thrall. Muitos associam esse fato à tal “trapaça” de Thrall no duelo contra Garrosh. Porém se acompanharmos de perto essa Campanha e se lermos alguns textos canônicos (inclusive o texto do próprio Martelo da Perdição que está no Salão de Classe dos Xamãs), é possível entender que esse abandono dos Elementais se deve ao sentimento de culpa que Thrall sente, por diversos motivos.

  • Battle for Azeroth.

    Uma vez mais a expansão já começa demonizando a Horda. Sylvana, antes mesmo da expansão começar, incendeia Teldrassil com inocentes na cidade. Destrói a própria cidade (Lordaeron/Cidade Baixa) utilizando a Praga. Captura Baine. Tenta matar Thrall. Mata Saurfang… Acho que deu para entender onde eu quero chegar.

Como vocês podem ver já são cinco expansões consecutivas retratando a Horda como inimiga. Claro que o cenário pode mudar e não é porque o WoW começou com duas facções “cinzas” que elas têm que se manter assim para o resto da vida. Porém, existem formas e formas de se fazerem as coisas. O trabalho feito para denegrir a Horda é porco – e isso não é uma opinião exclusiva minha.

 

Quais são as similaridades?

Como já explanei, não tem como ver Sylvana hoje em dia e não se recordar de Garrosh Grito Infernal – e isso, infelizmente, não é pelos melhores motivos. A reutilização da fórmula “Chefe Guerreiro mau” era desnecessária. Que Sylvana não é flor que se cheire, todos nós sabíamos. Agora calcar Sylvana num personagem que colocou, em partes, as premissas e filosofias da real Horda no lixo é de um mau gosto infindável.

De forma a corroborar o que eu acabei de dizer, vou apresentar algumas semelhanças entre Garrosh e Sylvana. Apesar disto ser uma crônica, vou aproveitar a funcionalidade que um formato digital nos proporciona e utilizarei tabelas para deixar clara essas similaridades.

 

Visões e ideais do Chefe Guerreiro

Garrosh Grito Infernal Sylvana Correventos
  • Criação de uma “verdadeira” Horda.
  • Superioridade da “sua” Horda em relação ás demais organizações/raças.
  • Narcisismo.
  • Sua raça (Renegados) era o que mais importava. (Questionável após os eventos do 8.2.5).
  • Descaso com todas as demais facções, organizações e raças.
  • Narcisismo.

Neste aspeto os dois Chefes Guerreiros foram muito parecidos, porém com algumas destoações. Ambos acreditavam que sua raça deveria ser o foco. No entanto, Sylvana ultimamente nos fez pensar o contrário enquanto Garrosh se manteve, de certa forma, fiel aos seus. Colocando esse detalhe de lado (até pelo fato do seu arco não estar finalizado), não nos podemos esquecer que ela sempre tentou proteger e aumentar o número da sua raça. Isso é visível em zonas de leveling e algumas chain quests no qual Sylvana ou os Renegados são o foco.

Não obstante, esse sentimento de proteção à sua prole foi se dissipando com o passar dos tempos. Em Before the Storm ela dizimou quase todos os Renegados que participaram da reunião com seus entes queridos vivos como forma de castigo (que é o acontecimento central do livro). Já em Battle for Azeroth, durante as cinemáticas da batalha contra Saurfang, ela coloca todos os presentes (incluindo os seus guardas) no mesmo potinho do “vocês são todos lixo”. Isso revela que Sylvana ou ficou louca ou está sendo manipulada. Falaremos mais sobre isso adiante.

 

Ações questionáveis

Garrosh Grito Infernal Sylvana Correventos
  • Destruição de Theramore.
  • Destruição de partes de Pandaria por utilizar energias do coração do Deus Antigo Y’Shaarj.
  • Aliança com um Deus Antigo em busca de mais poder.
  • Tentativa de assassinar um dos membros da resistência (Vol’jin).
  • Filosofia de “os fins justificam os meios”.
  • Autoritarismo e centralização do poder em si mesmo.
  • Destruição de Lordaeron e utilização da Praga.
  • Queima de Teldrassil.
  • Genocídio de sua própria raça.
  • Perseguição a vários membros da Horda que se opunham à sua filosofia (Thrall, Saurfang, Baine, etc).
  • Tentativa de assassinar um dos membros da resistência (Thrall).
  • Filosofia de “os fins justificam os meios”.
  • Autoritarismo e centralização do poder em si mesma.

Todos estes Chefes de Guerreiros foram bastante questionados. A sanidade de Garrosh começou a ser questionada quando ele bombardeou Theramore, no intuito de derrotar Jaina e seus fiéis aliados. Além de não ter conseguido matar Jaina, o ataque dizimou a cidade de Theramore, matando diversos inocentes (vale lembrar que não havia guerra declarada entre Horda e Aliança na época).

O equivalente de Sylvana foi a queima da capital Notiélfica, Teldrassil. Apesar das fações estarem oficialmente em guerra, a batalha já estava favorável ao exército de Sylvana e mesmo assim ela optou por queimar uma cidade cheia de inocentes. Essa atitude foi extremamente questionada por Varok, que se opôs à ideia e ainda afirmou que a Aliança iria querer se vingar. Isso se confirmou, pois a Aliança lançou um ataque à capital dos Renegados, a antiga cidade humana de Lordaeron que culminou na destruição da cidade (graças a Sylvana) e na captura do Orc pelo exército da Aliança.

Outra similaridade que pode vir a se concretizar é a questão da aliança com um Deus Antigo. Garrosh absorveu os poderes do coração de Y’Shaarj para se fortalecer. É possível que Sylvana também tenha alguma conexão com N’zoth, até porque ela está manipulando a Xal’atath.

 

Visão dos membros da Horda

Garrosh Grito Infernal Sylvana Correventos
  • Rejeição/insegurança em relação à nomeação.
  • Não compactuavam com os pensamentos narcisistas e totalitários de Garrosh.
  • Medo da obsessão que ele tinha com o poder e do pacto que ele havia feito com um Deus Antigo.
  • Rejeição/insegurança em relação à nomeação.
  • Não compactuavam com os pensamentos narcisistas e totalitários de Sylvanas.
  • Receio relativo à fonte de energia de seu poder, que até agora é desconhecida.

Ambos os Chefes Guerreiros são/foram muito contestados. Garrosh, na época do Cataclysm, foi nomeado como “regente” de Orgrimmar e da Horda na ausência de Thrall. Essa nomeação foi extremamente contestada, principalmente por Eitrigg e Caerne, que eram grandes conselheiros do então Chefe Guerreiro da Horda. Já Sylvana foi extremamente contestada, até pelo fato dela nunca ter despertado muita simpatia entre as demais raças da Horda. Vale ressaltar que ela e sua raça pertencem a um espectro de poder/crença totalmente opostos a muitas raças da Horda, como os Tauren, Trolls e até mesmo os Orcs.

Como o arco de Sylvana ainda não findou, temos várias ressalvas – porém é possível traçar paralelos. Garrosh era obcecado por poder e isso ficou claro quando ele fez de tudo para buscar o Coração de Y’Shaarj e se empoderar com ele. Por outro lado, nós não sabemos se Sylvana foi atrás de alguma fonte de poder, pois isso ainda não ficou explícito no game. O que sabemos é que ela está com uma fonte de poder nova, que está em posse da Xal’atath e que está disposta a acabar tanto a Aliança como a Horda.

Depois da batalha dela contra Saurfang, Jaina Proudmoore e Thalyssra debatem sobre o tipo de magia que ela usou para matar o Orc. Nenhuma das duas chegam a um consenso e isso deixa apreensão no ar, pois a resistência não sabe contra o quê está lutando.

 

O que foi feito para impedir

Garrosh Grito Infernal Sylvana Correventos
  • Criação de um grupo de resistência dentro da própria Horda (Rebelião Lançanegra) para combater a tirania de Garrosh.
  • “Cessar-fogo” entre Aliança e Horda para se focarem na luta contra Garrosh.
  • Invasão a Orgrimmar e ataque coordenado contra Garrosh e suas forças.
  • Criação de um grupo de resistência, com membros das duas facções (Thrall, Saurfang, Lor’themar, Jaina, Anduin, entre outros) para impedir Sylvana.
  • “Cessar-fogo” entre Aliança e Horda para se focarem na luta contra Sylvana.
  • Invasão a Orgrimmar e ataque coordenado contra Sylvana e suas forças.

Aqui as parecenças são inquestionáveis. Nas duas situações houve um cessar-fogo e a Horda e a Aliança ficaram “amiguinhas” para se voltarem contra um mal maior (um Chefe Guerreiro da Horda).

Uma vez mais saliento a falta de esforço da Blizzard em tentar inovar. Realmente o nome “Garrosh 2.0” começa a fazer todo o sentido.

 

Resultados finais

Garrosh Grito Infernal Sylvana Correventos
  • Garrosh foi derrotado pelos heróis, tendo Saurfang e Thrall na liderança da ofensiva.
  • Nomeação de um novo Chefe Guerreiro (Vol’jin).
  • Garrosh é capturado para julgamento.
  • Tentativa de destronar Sylvana, com a ajuda de vários personagens importantes na lore, sendo Thrall um deles.
  • Após o Mak’gora entre Sylvana e Varok, ela foge.
  • Provável nomeação de um novo Chefe Guerreiro (futuro).
  • Possível morte/fuga/captura de Sylvana (futuro).

Aqui estamos novamente limitados pela questão do arco da Sylvana ainda não ter terminado. De qualquer forma, tudo está em aberto – inclusive para acontecer mais uma cópia de MoP. Sylvana foge após derrotar Saurfang e isto abre discussão: ela ficará nas sombras até a próxima expansão? Ela será o último boss da expansão? Ela se redimirá (o cenário mais improvável depois de tudo o que aconteceu)? O que acontecerá? A única certeza é que ela vai voltar para aprontar alguma coisa.

O que sabemos é que a Horda está, uma vez mais, sem Chefe Guerreiro (algo que tem se repetido com o passar dos tempos). Lembremos que só em World of Warcraft, a Horda já foi liderada por Thrall, Garrosh Grito Infernal, Vol’jin, Sylvana e agora mais um (certamente será o Baine – já explico porquê). Por outro lado, a Aliança é bem mais sólida em relação à liderança. No  Vanilla, Varian era o líder mas como ele estava desaparecido, Bolvar foi nomeado Lorde Regente. No entanto, Varian liderou a Aliança até ao começo de Legion, quando morreu e seu filho assumiu – ou seja, a linhagem se mantem.

 

Outros detalhes/Semelhanças gritantes

Garrosh Grito Infernal Sylvana Correventos
  • Muita rejeição.
  • Destruição de uma cidade/polo (Theramore).
  • Criação de um grupo para combater a ameaça.
  • “Cessar-fogo” entre facções.
  • Garrosh é morto de forma “desonesta”.
  • Garrosh utilizou poderes de um Deus Antigos para se empoderar.
  • Invasão em Orgrimmar.
  • Muita rejeição.
  • Destruição de uma cidade/polo (Lordaeron).
  • Criação de um grupo para combater a ameaça.
  • “Cessar-fogo” entre facções.
  • Saurfang é morto de forma “desonesta”.
  • Existe a chance de Sylvana ter ganho novos poderes graças a N’zoth (Deus Antigo).
  • Invasão em Orgrimmar.

Como podemos ver, existem várias similaridades entre o “governo” de Garrosh e de Sylvana. Volto a bater na tecla da falta de empenho do grupo de desenvolvedores da lore da Blizzard, que resgataram uma história passada e aplicaram, com uns retoques aqui e ali, para adaptar à lore de Battle for Azeroth.

Ver novamente um personagem importante da lore da Horda ser questionado após um Mak’gora me deixou extremamente desanimado com toda a lore de World of Warcraft. Por vezes ainda me questiono por que é que eu pago quase R$30,00 por mês para ver o trabalho feito por um bando de preguiçosos. Deve ser masoquismo.

 

O que aconteceu e o que ainda vai acontecer

Uma das minhas grandes previsões foram cumpridas: Saurfang foi morto. Como disse, era algo esperado, porém não da maneira que foi. Ver Saurfang morrer num Mak’gora questionável desiludiu em diversos níveis.

Outra coisa que me deixou extremamente incomodado foi todo o discurso do próprio Orc, na primeira cinemática do 8.2.5 (quando aceitamos a missão). Vimos Saurfang a vida inteira falar sobre a honra da Horda e a união dos povos que pertenciam a facção. Numa de suas últimas aparições, ele muda o discurso e afirma que a Horda foi forjada em sangue. Confesso que essa afirmação tem a sua ponta de veracidade, no entanto vai totalmente contra o que ele disse, por exemplo, para Zekhan.

 

“Mas Kfour, o que deveria ter acontecido?”

Bem, na minha opinião, Saurfang tinha que morrer nesta expansão. Estava na hora e tudo se encaminhou para isso. Zero críticas a essa decisão (de matar o personagem).

A crítica é ao modo que isso aconteceu. Creio que um desfecho louvável para Saurfang (e até mesmo para quem o assassinou) deveria ser num último embate generalizado. Talvez quando os dois estivessem extremamente fracos e não só Varok estar fraco lutando contra uma Sylvana totalmente empoderada por uma magia desconhecida. Essa discrepância de energia e vitalidade tornaram o confronto ameno. Por toda a dimensão de Saurfang (e Sylvana) o embate deveria ser mais épico. Continuo batendo na tecla que sequer era necessário Sylvana usar magia para derrotar Saurfang. O desiquilíbrio entre os dois era tão gritante, que mais 2 ou 3 minutos de combate corporal teria levado à vitória da Rainha Banshee.

 

Quem será o próximo Chefe Guerreiro da Horda?

Estou há meses falando que o próximo Chefe Guerreiro da Horda será Baine, por diversas razões.

  1. Proximidade com Anduin.

    Como tudo está fluindo para uma expansão paz e amor entre Horda e Aliança, nada melhor que os líderes da facção serem próximos e Anduin é próximo de Baine. Ambos sempre se trataram com muitos respeito e cordialidade e Baine é, provavelmente, a pessoa de maior confiança de Anduin na Horda. Mesmo antes do começo da expansão, Baine e Sylvana já sofriam vários atritos (vide Before the Storm). Além disso, ele foi um dos que trabalhou contra as decisões nefastas de Sylvana, que culminou no salvamento de Derek Proudmoore e levou ao seu encarceramento. Desta forma, Baine sofreu diretamente nas mãos de Sylvana e isso pode ser um aval para ele ser nomeado Chefe Guerreiro da Horda.

  2. Azeroth está morrendo e a cura é necessária.

    Anduin, como todos sabemos, é um Sacerdote (meio híbrido com Paladino, mas continua sendo considerado um Sacerdote). Por outro lado, o povo Tauren é extremamente conectado com a Natureza. Um esforço em conjunto de Anduin e Sacerdotes (com a ajuda de Calia) e de Baine, juntamente com Druidas, Xamãs e Sacerdotes Taurenos pode surgir caso o Tauren seja nomeado Chefe Guerreiro.

  3. Thrall não será Chefe Guerreiro.

    Em circunstâncias normais Thrall voltaria a ocupar o cargo. No entanto, existem alguns pontos que eu gostaria de salientar que prejudicam esse cenário.

    1. O próprio Thrall disse que não queria liderar a Horda quando Saurfang o foi “visitar” em Terralém.
    2. Como muito provavelmente a próxima expansão vai falar de Dragões e dos Elementos, Thrall poderá voltar a liderar a Harmonia Telúrica. Isto se ele não tomar um reboot e se tornar um Guerreiro definitivamente.
    3. Thrall, querendo ou não, fez coisas erradas. Nomeou Garrosh para Chefe Guerreiro, indo contra a opinião de conselheiros importantes da Horda (como o próprio pai do Baine, Caerne). Além disso ele matou Garrosh utilizando seus poderes de Xamã num Mak’gora, o que levantou suspeitas. Isso tudo deu algum descrédito ao personagem.
  4. Baine é Tauren.

    Nunca existiu um Chefe Guerreiro Tauren, apesar dessa raça ter sido das primeiras a se unir à Horda como conhecemos. Em toda a história da Horda vimos Orcs, um Troll e uma Renegada liderando a facção, então creio que chegou a hora de ser um Tauren.

 

O que será de Sylvana?

Sylvana, a cada atualização que passa é uma incógnita. O Xalasca fez umas previsões alguns meses atrás. Na época eu concordava com a maioria delas, mas agora eu acho que algumas se tornaram bem discrepantes. Depois de ter matado um dos personagens mais respeitados da Horda, Sylvana cavou a sua própria sepultura. Todos aqueles que presenciaram o ocorrido jamais perdoarão a então Chefe Guerreira. Na cinemática podemos ver que até os próprios Renegados ficaram em choque pela declaração de Sylvana. Então o que poderá acontecer com ela?

  1. Chefe de Raide.

    Existe a possibilidade de Sylvana virar um boss de Raide. Se isso acontecer, é melhor mudar o nome de Battle for Azeroth para Mists of Pandaria Parte 2. Mas tendo em conta todo o retrospecto de reciclagem que a Blizzard está implementando, não me admiraria se isso acontecesse. Porém, espero que esta seja a última opção dos devs.

  2. Aliança de Sylvana e N’zoth.

    N’zoth está solto graças aos esforços de Azshara. O futuro da Rainha é uma incógnita, visto que ela foi derrotada pelos heróis da Horda e da Aliança em seu Palácio Eterno, mas foi prontamente “recolhida” por um tentáculo. Teremos que esperar pelo patch 8.3 para saber o que houve com ela. Como vimos na cinemática, Sylvana está manipulando energias e poderes desconhecidos. Ela também é portadora da Xal’atath, a Arma Artefato dos Sacerdotes Sombra. Até mesmo Jaina e Thalyssra, mentes estudiosas e brilhantes no que diz respeito ás escolas de magia, não conseguiram identificar a natureza das energias controladas por Sylvana. Onde será que foi que vimos um Chefe Guerreiro se aliar com um Deus Antigo… Ironia.

  3. Redenção.

    Seria o melhor final a meu ver, no entanto acredito que esse cenário sequer é cogitado. Seria bom demais para os parâmetros atuais do jogo/lore. Seria bom ver Sylvana se sacrificando para salvar algo ou alguém ou para poder concertar parte dos danos que ela causou durante todo este tempo. Talvez enquanto lutássemos contra N’zoth (que eu acho que vai ser o boss final da expansão) ela poderia intervir após, num encontro anterior dessa mesma raide, os heróis terem libertado ela das amarras do Vazio (sim, mesmo sabendo que os Renegados são menos suscetíveis a serem influenciados por essas energias).

Fazendo uma digressão ao que eu disse no começo deste artigo, Sylvana tem bastante personalidade, então uma guinada de opinião poderia ser interessante e, de alguma forma, ela retornar aos seus tempos de defensora. Mas nada de hype ou de devaneios. Isso é o que eu quero, mas é algo extremamente improvável.

Quem será o boss final da expansão?

Como disse no tópico acima, acredito que seja N’zoth. Um dos grande receios que eu tinha era que Azshara se tornasse um boss passageiro (falei bastante sobre isso neste texto aqui). Como a expansão ainda não acabou, não posso cravar essa afirmação como real/canônica. Porém, tudo indica que Azshara veio para ser boss de “meio de expansão”, mas com atitudes que vão ecoar durante toda a expansão. Mas é claro que muita coisa pode acontecer. Como já foi referido anteriormente, Azshara foi derrotada e levada para as profundezas por um tentáculo. Antes desse “sequestro” ela admite que tudo foi um plano para poderem libertar N’zoth da sua prisão. O leque de opções está totalmente aberto.

Como eu já disse em outros textos anteriores (clica aqui ou aqui para ler) o retrospecto para ter um Deus Antigo como boss final não é favorável, mas creio que a “pegadinha” seja essa.

Vale lembrar que no Vanilla tivemos C’Thun como boss final de Ahn’Qiraj, mas após essa raide existiu Naxxramas (tornando Kel’thuzad o boss final do jogo).
Já em Wrath of the Lich King, Yogg-Saron sequer foi o boss final da raide (bom salientar que o último chefe, em termos de lore, de Ulduar é Algalon).
O outro Deus Antigo é Y’Shaarj, que só tivemos “contato” com o seu coração e com o “pocket minion” dele chamado Garrosh.

Com todas estas questões em vista, acredito que N’zoth seja o boss final de BfA. Caso tiremos o Deus Antigo da equação, dá para nomear Azshara (uma vez mais) ou a própria Sylvana.

 

“Kfour, o que você tem achado dos supostos leaks?”

Depende dos leaks. Acredito que Shadowlands tenha alguma sustentabilidade, mas era algo que eu odiaria ver. Duas coisas que eu aposto que vão aparecer na próxima expansão são Dragões/Aspetos e Elementais.

A teoria dos Dragões e Aspetos já tá na minha mente faz tempo, mas tornou-se mais flagrante quando o 8.2 foi lançado. Com a vinda desse patch, nós tivemos acesso a missões atribuídas por agentes das mais diversas Revoadas. Essa entrada “repentina” das Revoadas na lore de Battle for Azeroth mostra claramente que a chance de ver esses seres na próxima expansão de World of Warcraft, que será anunciada em Novembro na BlizzCon.

Por outro lado, temos a questão dos Elementais. Sempre que Azeroth sofreu com alguma transformação latente, os Elementais apareciam. A última prova disso foi durante o Cataclysm.

Mas como Dragões e Elementais podem coexistir numa mesma expansão? Pelo que estamos vendo atualmente, as Revoadas estão nos auxiliando na cura de Azeroth. Existem algumas lacunas na lore dos Aspectos e das Revoadas que precisam ser preenchidas. E nada melhor que uma expansão para trabalhar essa temática.

Sobre as Revoadas

Ysera ficou sem um substituto, após morrer em Legion. Chifre de Ébano e Wrathion, do lado da Revoada Negra, poderão acrescentar mais coisas nessa lore. Kalecgos tem toda uma história para (re)continuar com Jaina, agora que ela está de volta. E, por fim, temos Nozdormu e Alexstrasza que estão bastante sumidos, tirando uma aparição aqui e ali.

Além disso, temos toda a lore pendente da Revoada Infinita e de Murozond. Então a lore dos Aspectos/Revoadas tem muito por onde se pegar.

Sobre os Elementais

Tirando a Campanha dos Xamãs em Legion, a última grande presença dos Elementais foi, precisamente, no Cataclysm . Como já disse, com a fissura causada pelo retorno de Asa da Morte em Azeroth, muitos Elementais conseguiram invadir Azeroth. Como todos devem saber, um dos grandes objetivos dos Lordes Elementais era ter um domínio sobre Azeroth. E nada melhor que pegar os defensores de Azeroth desprevenidos. Muito provavelmente vamos estar curando Azeroth no final desta expansão/começo da próxima. Tendo isso em consideração, os Lordes Elementais poderão tentar voltar para dar continuidade ao seu plano.

Além do mais, Thrall está de volta, o que pode significar que a Harmonia Telúrica poderá ter trabalho. Isso seria também uma ótima desculpa para não colocar Thrall como Chefe Guerreiro. Ele já abdicou desse título do Cataclysm para liderar o grupo de Xamãs e tentar salvar Azeroth. Então, com essa tarefa novamente nas suas mãos, o “bastão” de Chefe Guerreiro da Horda poderia ser passado para outro personagem (como eu prevejo, Baine).

 

Os arcos estão se fechando

Parece que é hora de fechar arcos. Não sei se a Blizzard quer dar um reboot na história do WOW, tendo uma desculpa para fazer um WOW 2 com uma engine mais atual e nova jogabilidade. O que é certo é que estamos vendo o encerrar de vários arcos da lore em muito pouco tempo.

Legion foi totalmente acelerado, com aparições repentinas de personagens icônicos da lore. Taecondrius e Kil’jaeden apareceram do nada para serem bosses de raides da expansão. Porém, o mais latente, foi a invasão a Argus e a aparição de Sargeras em uma cinemática, pondo um “fim” na ameaçada Legião.

Agora em Battle for Azeroth parece que estamos próximos de fechar o arco dos Deuses Antigos. Todos já foram “derrotados”, faltando apenas N’zoth. Assim como invadimos Argus em Legion, em BfA invadimos o berço da raça Naga. Não me admiro nada que o 8.3 tenha como destino Ny’alotha.
Além disso, Battle for Azeroth parece também querer fechar o arco da guerra entre Aliança e Horda. Se esses dois arcos se fecharem, restam apenas dois grandes arcos: Elementais e Aspectos.

 

Conclusão

Finalmente chegamos ao final deste longo artigo. Uma vez mais eu peço perdão pelo texto longo, porém precisava compartilhar minhas opiniões e frustrações com vocês. Das próximas vezes vou tentar não aguardar tanto tempo para escrever uma crônica, pois assim vocês não ficarão tão aborrecidos. O último texto opinativo que escrevi foi, se não me engano, em Maio. Como resultado disso, este texto se estendeu bastante. Tentarei escrever um texto opinativo a cada 3 meses, pois dessa forma ele não ficará tão extenso.

Sem mais delongas, acredito que muitos de vocês pensem de forma semelhante a mim e sem dúvida alguma muitos de vocês também irão discordar de muitas coisas que disse aqui. Tendo isso em vista, gostaria de pedir a vocês para utilizares as ferramentas de comentário aqui do site ou do nosso Facebook para podermos discutir sobre o 8.2.5 e os demais acontecimentos de Battle for Azeroth.

 



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